CAMPINAS, 30 de julho de 2026 – Uma substância inédita no
mundo, capaz de reverter a overdose causada por uso abusivo de diversos tipos
de medicamentos e drogas ilícitas, terá estudos clínicos iniciados assim que
for obtida a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Desenvolvido pelo departamento de Nanotecnologia Farmacêutica da Universidade
Federal de Goiás (UFG), por equipe liderada pela professora Dra. Eliana Martins
Lima, o medicamento, batizado de Lipossoma de Resgate, foi apresentado hoje em
evento em Campinas. Durante o evento, foi assinado acordo de cooperação com o
Instituto Bairral de Psiquiatria, que participará dos testes clínicos.
De acordo com a Dra. Eliana, a nanotecnologia farmacêutica vem
estudando há algumas décadas como minúsculas partículas podem ajudar a entregar
determinadas moléculas medicamentosas ao organismo. “Essas nanopartículas são
tão pequenas que só podem ser vistas por microscópios de alta precisão. Em
determinado momento tivemos a ideia de fazer o contrário. Em vez de usá-las
para enviar medicamentos ao organismo, decidimos usá-las para sugar substâncias
nocivas ao organismo”, explica Dra. Eliana.
A pesquisadora destaca que o Lipossoma de Resgate, como o
medicamento a princípio está sendo chamado, poderá ser utilizado tanto para
salvar pacientes intoxicados por drogas ilícitas quanto por outras substâncias.
“Muitos óbitos podem ocorrer por substâncias tóxicas, não apenas o uso de
drogas. Alguns exemplos são excesso de medicação e erro de administração de
remédios. Mas pode ocorrer também com pessoas vítimas de violência ou usadas
pelo tráfico para levar entorpecentes no organismo. São muitas hipóteses e, em
todas elas, o organismo está sendo agredido por algo que não deveria estar ali.
É uma vítima que precisa ser salva”, ela detalha.
De acordo com Rogério Almeida, vice-presidente de
Desenvolvimento, Pesquisa & Inovação do Laboratório Cristália, os testes pré-clínicos
com animais foram finalizados. Agora o Cristália está em fase de produção dos
lotes do produto que serão utilizados nos estudos em humanos e em processo de
finalização da documentação para submeter à Anvisa o pedido de autorização para
iniciar os estudos com humanos.
“O Instituto Bairral, que participará dos estudos com
pacientes, está nos acompanhando em todo esse processo e tem muito a contribuir
com o desenvolvimento da pesquisa. Na primeira fase do estudo, assinalou
Rogério, será verificada a segurança do medicamento. Só então partiremos para
as fases dois e três, quando será verificada a eficiência para retirar do
organismo diversos tipos de drogas. “Para cada droga, será feita uma pesquisa
diferente. Elegemos dois tipos de drogas para iniciar a pesquisa clínica, a
cocaína e a lidocaína”, afirmou.
As pesquisas que deram origem ao projeto começaram em 2018, a
partir do trabalho da equipe da UFG. A Dra. Eliana Martins atua com lipossomas
desde 1993 e concebeu a aplicação de nanoestruturas como estratégia de resgate
para intoxicações graves. A parceria com o Cristália foi formalizada em 2024.
Já foram investidos cerca de R$ 58 milhões.
“Mais uma vez reunimos
a experiência acadêmica da universidade pública e a capacidade industrial,
regulatória e de desenvolvimento do Cristália para trazer soluções inéditas ao
País. Posso dizer que este é um dos dias mais felizes da minha vida,
apresentando uma inovação que pode salvar milhões de pacientes”, explica Dr.
Ogari Pacheco, o médico que é cofundador e preside o Conselho do Laboratório
Cristália. Para Dr. Pacheco, a assinatura do contrato com o Instituto Bairral,
sediado em Itapira, teve um gosto especial. “Foi lá que, depois de me formar na
Universidade Federal de São Paulo e fazer a residência médica, comecei a minha
carreira”, relembrou.
A cerimônia de assinatura do acordo de cooperação contou com
a presença também de Luiz Aberto de Melo, presidente do conselho diretor do
Instituto Bairral de Psiquiatria, de Ricardo Moriyama, diretor de relações
institucionais e da diretora médica Dra Helena Buonfiglio “Nós, do Bairral,
temos atuado há 88 anos com absoluto empenho para cumprir a missão de promover
o bem-estar e a qualidade de vida dos seres humanos. Construir parcerias
sólidas como a do Cristália é a melhor forma que temos de contribuir com a
ciência”, completou Luiz Alberto de Melo.